segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nocturno

Amor, não sei de coisa mais violenta
Do que ficar de noite, à tua espera
É triste como uma manhã cinzenta
Destruindo o coração da primavera.

E aqui, como um pássaro deitado
Julgando ouvir na chuva, a tua voz
A madrugada deita-se a meu lado
Fingindo que na cama estamos nós.

Mas, eu sinto chegar esta amargura
Que vem fechar-me os olhos e depois
Já nem sei se é um sonho ou se é loucura
O quarto onde estou só, ficamos dois

E nada mais importa, já não espero
Aquela que enche a noite de alegria
Então, para dizer quanto te quero
Eu choro por ti, até ser dia.


Joaquim Pessoa (adaptado)



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